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ABRINDO HORIZONTES com Nilda Lopes

Antes que eu me esqueça…
Converse comigo!

Preciso me apresentar, já que a partir de agora estaremos juntos por algum tempo.
Nilda Lopes Santos, professora aposentada, franqueada e gestora pedagógica do Método Supera – Ginástica para o Cérebro/Unidade Três Rios. Muito prazer.

Fui convidada para escrever esta coluna, o quê muito me agradou, e a partir daquele momento precisávamos direcionar os assuntos que seriam oferecidos aos leitores. Por experiência profissional e de vida, decidi que falaria sobre tudo que diz respeito à qualidade de vida e bem estar.

Ora, se sou gestora pedagógica de uma Academia de Ginástica para o Cérebro, então nossos encontros mensais através desta coluna não poderão ser diferentes; todos os assuntos estarão ligados, direta ou indiretamente, aos processos cognitivos básicos, que são: a percepção, a atenção, a orientação, a memória, o raciocínio lógico e a linguagem. Para que esta coluna seja leve e agradável, vou sempre escrever relatando casos, que são verídicos, e causos, que são fictícios, e claro, não mencionarei os nomes verdadeiros dos personagens. Assim, acredito despertar o interesse de todos para as edições subsequentes.

Ginástica para o cérebro = treino

É realmente possível melhorar nossas habilidades cognitivas com treinamento?

Sim, é possível. Como um atleta que treina todos os dias para alcançar a linha de chegada em grande estilo, assim é o nosso cérebro, nossa mente. O treino contínuo nos tira da zona de conforto, nos impulsiona a pensar e agir de forma inovadora; desenvolvendo o potencial do cérebro, impulsionando uma forma incrível de viver, que nos leva a buscar continuamente o desenvolvimento pessoal e, entre outros predicados, nos torna mais resilientes.

Na academia Supera, onde passo a maior parte do dia desenvolvendo minhas atividades profissionais, vivencio “n” situações agradáveis e gratificantes, mas recebo também muita gente com queixas variadas, das quais a mais recorrente é sobre a memória. Então começaremos por ela.

Memória

‘’O dia começa a apresentar seus primeiros sinais. Ainda meio adormecida, ouço o crepitar do fogão à lenha, recentemente aceso. Olho para cima e vejo alguns raios de sol dançando dentro do quarto sem forro e com algumas telhas deslizadas. Não tarda, e o recinto onde estou é inundado por aquele cheiro conhecido de todas as manhãs, o café.

Dou um salto da cama, tateio o chão com os pés nus, à procura do tamanquinho, gasto pelo uso, e em meio a tudo isso, penso: ‘Minha tia acordou.’ Saio do quarto, dou uma olhada para trás, vejo minhas primas ainda enroladas em seus cobertores. Tenho vontade de gritar: ‘Acordem, amanheceu, o fogão já está aceso, e o café não tarda a ser colocado em nossas canecas.’ Mas me detenho, afinal eu era a hóspede, a prima que ia passar as férias.

Caminhava sorrateiramente com os olhos ainda meio embaçados de sono, mas o sono era vencido pelo desejo imenso de me sentar no banco ao lado do fogão, receber o sorriso aconchegante de minha tia, dizendo: ‘Deus abençoe seu dia, minha pequena. Já vou lhe servir um café’, ora com angu, ora com batata doce, ora inhâme, enfim, o acompanhamento não importa. O quê importa é que tudo isso não sai de minha memória. Cada vez que ouço o crepitar da lenha em um fogão à lenha, sinto o cheiro de café e toda aquela cena vem a minha memória.’’ Por quê?

Porque tudo aquilo me dava prazer, me fazia bem, e nesse momento eram liberados os hormônios do prazer e da felicidade, como a Dopamina, que é o hormônio que nos impulsiona sempre a continuar buscando recompensa e, que no meu caso, era o café; outro hormônio liberado era a Ocitocina, que também pode se dizer, oxitocina, que é conhecido como “hormônio dos vínculos emocionais” e “hormônio do abraço”, que nos faz construir laços sociais e afetivos, minha tia, e finalmente, a Serotonina, que nos dá a certeza de que cada um de nós é importante para os outros. Eu era importante para minha tia, ela sempre sorria, que faz parte de um contexto.

Não é à toa que a serotonina seja o hormônio do amor. Com suficiente serotonina, a gente dribla a sensação de estar sozinho e a depressão que vem junto.

A história toda que contei sobre o fogão, o café e minha tia, foi apenas para ilustrar e dar mais sentido à uma memória que eu queria destacar nesta edição, a memória olfativa, misto de sensações físicas e psicológicas. Físicas, pois cada vez que sentimos um cheiro, o cérebro faz uma associação entre o olfato e um local, uma pessoa ou um momento, e psicológicas, porque a lembrança, associada ao cheiro sentido e já armazenado, invoca uma sensação. A ligação entre o sistema olfativo e o cérebro é tão grande que a reação é imediata.
Mais do que apenas se lembrar a quê se refere aquele cheiro, é lembrar-se do porquê aquele cheiro tem importância na sua vida.
Você, se até este momento manteve os olhos atentos neste texto, antes que eu me esqueça, converse comigo sobre seus momentos de alegria, prazer ou dor. Porque assim como a memória olfativa nos remete a momentos de prazer, ela, e outros tipos de memória, também podem nos remeter a momentos de dor. Então, mande sua mensagem, vamos trabalhar a liberação dos hormônios do bem, do prazer e da felicidade.
Converse comigo!

1 Comment
  1. Fabiola 2 semanas ago
    Reply

    A Nilda é um ser humano incrível em todos os sentidos!
    Um presente para minha vida.
    Quantas palavras verdades e repletas de verdades lidas aqui.
    Grata minha querida!
    Por compartilhar os seus conhecimentos.

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